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Cadê a recuperação econômica?

por | 2 fev, 2018

Esse será a terceira semana seguida cujo assunto principal desse texto gira em torno da demanda (ou no caso, falta dela) pela carne. É incomodo ser repetitivo em um assunto, porém, hoje esse é de longe o fator mais importante que impacta a precificação do boi gordo no mercado físico e futuro. A indústria segue firme na decisão de não subir os preços e o pecuarista segue firme na decisão de não entregar a preços mais baixos, de modo que os preços seguem com oscilações mínimas na praça paulista.

No mercado futuro, a oscilação de preços de toda a curva também foi mínima e os preços seguem balizados na safra entre R$145,00/@ a R$144,00/@ de fevereiro a maio e ao redor de R$151,00/@ para outubro na entressafra. Os volumes negociados ainda são totalmente irrelevantes e a impressão que dá é que ninguém tem convicção nenhuma para montar posição no cenário atual.

O principal fator que pode impactar a melhora da demanda por carne no mercado interno de forma mais sustentável é a retomada do crescimento econômico de forma mais vigorosa, e posteriormente a queda do desemprego. Atualmente há sinais que apontam nessa direção, porém, os dados divulgados na última PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ainda mostram uma retomada bastante tímida do nível de emprego, com a taxa de ocupação subindo, desemprego caindo abaixo do ano anterior pela primeira vez em três anos e massa de rendimentos avançando 3,6% ante um ano atrás. A taxa de desocupação caiu para 11,8% no trimestre passado, ficando menor a igual trimestre de um ano atrás pela primeira vez em mais de três anos (desde ago-out./14).

São dados ainda tímidos, porém somando-se isso a outros indicadores da atividade econômica, como venda de papel ondulado, índice de confiança de serviços e utilização da capacidade instalada (figuras 1, 2 e 3), é razoável imaginar que existe uma retomada econômica encaminhada. Resta saber quanto tempo essa retomada levará para causar efeitos no bolso da população e ter reflexos positivos no consumo de carne no mercado interno. A indústria e os pecuaristas aguardam ansiosamente por isso.


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