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Brasil vai crescer 3% em 2019, diz Credit Suisse

por | 13 dez, 2018

(Por Valter Outeiro da Silveira do MoneyTimes)

“Cenário positivo para 2019 e 2020”. É com este título que a equipe de análise macroeconômica do Credit Suisse inicia relatório sobre o Brasil, no qual projeta viés otimista de recuperação da economia no próximo biênio. O banco prevê crescimento de 3% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2019 e avanço de 2,5% do nível de produto em 2020, com base principalmente na demanda doméstica, particularmente no consumo das famílias e em investimentos.

Ainda dentro do cenário positivo, a inflação projetada para o biênio é “baixa e estável”: 3,7% em 2018 e 2,5% em 2020. A alta capacidade ociosa permitirá que a inflação mantenha-se em ritmo lento para os próximos trimestres e a ancoragem das expectativas em relação a política fiscal deverá manter a dinâmica da taxa de câmbio menos volátil, de acordo com os analistas.

Adicionalmente, o Credit Suisse destaca a normalização gradual da política monetária, o que permitirá ao Banco Central normalizar a Selic em patamar mais adequado. Neste cenário, o banco projeta Selic de 8% em 2019 e de 9% no fim de 2020.

Sem crescimento, com gastos governamentais

No diagnóstico inicial, os analistas ressaltam dois principais problemas da economia brasileira: a junção de baixo crescimento do PIB entre 1980 e 2018, com média de incremento anual de 2%, aliado a taxa ínfima de crescimento da produtividade do trabalho, de apenas 0,2% no mesmo período de referência.

O outro problema ressaltado é a deterioração fiscal, acelerada também desde 2014, quando os gastos do governo central ultrapassaram a arrecadação, em termos de relação de percentual do PIB no período. “A administração entrante necessitará implementar um forte ajuste fiscal para estabilizar a dívida bruta líquida como percentual do PIB no médio prazo”, destaca a equipe

Para solucionar ambos os problemas, pontuam as seguintes medidas: reforma tributária, maior abertura da economia ao comércio internacional, aprimoramento da competitividade do setor bancário, privatizações e reforma educacional. Outros pontos para ajuste da política fiscal são a reforma da previdência, o congelamento dos salários no setor público, a redução de subsídios fiscais e aumentos adicionais da carga tributária.

De olho na produtividade

Em ranking de competitividade dos países emergentes elaborado pelo Credit Suisse, dentro de 26 países selecionados, o Brasil ocupa somente a vigésima posição, tendo pares dos BRICs em posição bem mais elevada (China em terceiro, Rússia em oitavo e Índia em décimo).


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Para aumentar o nível de competitividade, certamente as reformas estruturais devem vir a tona. Neste sentido, o Credit Suisse destaca a alta probabilidade de aprovação da Reforma da Previdência em 2019, com base nos seguintes fatores: alta popularidade do presidente recém-eleito Jair Bolsonaro; a ocorrência do “período de graça”, no qual historicamente os presidentes do Brasil conseguem aprovar reformas e; o viés favorável pela maioria do Congresso frente a Reforma da Previdência, conforme pesquisas recentes.

Vale destacar que espera-se vitória pelo novo governo em pontos também importantes, como privatização de empresas públicas, acordos bilaterais de comércio internacional, autonomia do Banco Central e medidas microeconômicas para elevar a produtividade do trabalho. Em relação às privatizações, os analistas Leonardo Fonseca e Lucas Vilela consideram os seguintes ativos com alta probabilidade de privatização: Telebras, BR Distribuidora e aeroportos em geral.

Setor externo

O Credit Suisse projeta crescimento no déficit em conta corrente nos próximos anos, passando para US$ 25 bilhões em 2019 e US$ 37 bilhões em 2020, valor superior ao déficit de US$ 10,9 bilhões previsto em 2018, particularmente devido a projeção de aprimoramento da demanda doméstica, o que reduz a balança comercial e aumenta a remesa de lucros e dividendos nos próximos anos.

Frente à balança comercial, os analistas esperam decréscimo no superávit comercial, embora haja prognóstico positivo para crescimento tanto das exportações quanto das importações: espera-se exportações de US$ 238 bilhões em 2018, US$ 256 bilhões no próximo ano e US$ 267 bilhões em 2020; com importações de US$ 178 bilhões em 2018, US$ 199 bilhões em 2019 e US$ 215 bilhões em 2020.

Os analistas também destacam o perfil mais saudável da dívida brasileira, pelo alongamento dos prazos, a maior seletividade no volume de swaps pelo Banco Central, e a redução da vulnerabilidade externa diante do alto volume de reservas internacionais.

Inflação, PIB e Crédito

O Credit Suisse espera que a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) atinja 4,2% em 2019 e em 2020, superior frente aos 3,8% projetados para 2018, com pressão de alimentos, indústria e serviços. Em relação ao PIB, o Credit Suisse acredita que o gap entre capacidade produtiva e produção se encerrará no terceiro trimestre de 2019, o que deverá aliviar pressões inflacionárias.

O banco ressalta a expectativa de melhora nas condições de crédito. Do lado da oferta, a queda na taxa de inadimplência nos últimos meses deverá estimular os bancos privados a proverem crédito. Do lado da demanda, tanto empresas quanto famílias passaram por forte processo de desalavancagem nos últimos anos, o que facilita a tomada de empréstimos por ambos.

Aposta no consumo das famílias

O banco destaca positivamente a melhora no consumo das famílias como propulsor para um melhor nível de produto em 2019, estimando crescimento de 2,9% em 2019 e 2,6% em 2020. Conforme as estimativas do banco, a variável representa aproximadamente 63% do PIB. Em relação a FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), espera-se crescimento de 9,3% em 2019 e 5,7% em 2020, sendo o segundo fator responsável pelo otimismo acerca do crescimento de 3% para 2019.

Para fundamentar o otimismo em relação ao consumo familiar, o banco destaca o prognóstico de alta na confiança do consumidor em um cenário com menor aversão ao risco no panorama doméstico, com a implementação da agenda fiscal, além da expectativa de expansão no volume de financiamentos pelos bancos e maior crescimento nos salários, como decorrência de uma velocidade superior na criação de postos de trabalho. Espeficicamente em relação a taxa de desemprego, espera-se queda de 12,1% em 2018 para 11,3% em 2019, com posterior recuo para 10,6% em 2020.

JP menos otimista

O JPMorgan também publicou suas estimativas para o próximo biênio. O banco norte-americano projeta crescimento do PIB de 2,6% em 2019 e 2% em 2020, com inflação de 4% em 2019 e 4,1% em 2020. Em relação a Selic, espera-se que o juro básico termine na casa dos 8,75% no fim do próximo ano.