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Caos nos mercados: dólar foi a R$ 3,96 e Bolsa quase perdeu os 100 mil

por | 5 ago, 2019

Por Exame

Poucos ativos ficaram a salvo da turbulência que tomou conta dos mercados nesta segunda-feira (5). Bolsas de todas as partes do mundo operaram no vermelho, enquanto as moedas de países emergentes perderam valor frente ao dólar, reagindo à piora nas tensões comerciais entre as duas maiores economias globais.

Não foi diferente no Brasil. O maior índice de ações da bolsa brasileira, o Ibovespa, quase perdeu o patamar dos 100 mil pontos. Recuou 2,51%, aos 100.097 pontos com quase todas as ações listadas em baixa. A exceção foi a processadora de carnes Marfrig, que subiu 0,73%. A queda da bolsa foi intensificada pela mineradora Vale, que perdeu mais de 4%, sofrendo os efeitos do tombo no minério de ferro. A Petrobras perdeu acima de 3%, após o barril de petróleo despencar no mercado internacional.

Já o dólar avançou 1,68% frente ao real, negociado a R$ 3,9572 – alcançando a maior cotação desde maio. Na máxima do dia, alcançou 3,9645.

Escalada de tensões

Mais cedo, a segunda maior economia do mundo contra-atacou Donald Trump em resposta à imposição, na semana passada, de novas tarifas sobre seus produtos. O país asiático desvalorizou sua moeda, o yuan, para o menor nível em uma década, e proibiu as importações de produtos agrícolas norte-americanos.

A piora das tensões entre os dois países elevou os temores de uma desaceleração global e provocou uma corrida de investidores para longe dos ativos de maior risco e fortalecendo o dólar.

A decisão da China de deixar o iuan se desvalorizar sinaliza que a atual disputa comercial pode evoluir para uma guerra cambial, injetando volatilidade nas moedas e aumentando a pressão sobre os mercados globais. A disposição da China de usar sua moeda para compensar o impacto de uma disputa comercial que já dura um ano é de enorme importância simbólica, se não econômica: mostra que o país asiático está preparado para usar sua taxa de câmbio como uma ferramenta para responder de maneira assimétrica às tarifas de Trump.

Mesmo com a expectativa de retomada na votação da reforma da Previdência em segundo turno da Câmara esta semana, a tensão mundial deve prevalecer sobre os mercados no Brasil, destaca a analista de investimentos da Coinvalores, Sabrina Cassiano. “Ainda que tenha uma agenda de reformas positiva, o nível de hostilidade e a forma brusca das ameaças trazem um nível de incertezas muito forte”, afirma.

O fato de a economia brasileira estar muito atrelada às commodities é um agravante deste quadro. Da perspectiva de crescimento global, também há motivo de preocupação para o Brasil, que tem a China e os EUA como grandes parceiros comerciais.

Esse cenário, acrescenta Sabrina, pode levar inclusive a uma inversão do que foi visto no mês passado, quando a bolsa brasileira praticamente se descolou da tendência do exterior e passou a oscilar quase que exclusivamente ao sabor da agenda de reformas. “O cenário doméstico se sobressaiu, agora vemos uma reversão de tendência”, diz.

A volatilidade nas próximas semanas é dada como quase certa, visto que qualquer surpresa sobre a tensão comercial, seja trazendo algum alívio ou agravando ainda mais o cenário, deve mexer com o sentimento dos investidores.

Queda generalizada dos ativos

Em reação à escalada das tensões, houve uma queda generalizada nas bolsas asiáticas. Os índices europeus fecharam no nível mais baixo em dois meses. O índice MSCI para ações globais recuava 2%, sua maior queda desde fevereiro de 2018. Em Wall Street, o S&P 500 recuava 2,8%, enquanto o Nasdaq Composto marcava baixa de 3,4%, nas maiores perdas diárias desde dezembro do ano passado.

O VIX, índice que mede a volatilidade nos mercados, subiu 35% nesta segunda e atingiu o maior patamar desde o início deste ano. 

Ativos considerados um “porto seguro” dos investimentos, como o ouro, se valorizaram. O metal precioso alcançou o maior valor em seis anos,  para 1.462,40 dólares por onça-troy, diante dos temores comerciais.

“A aversão ao risco está se espalhando nos mercados financeiros, e isso é algo que definitivamente ajuda o ouro”, disse à Reuters Carsten Menke, analista da Julius Baer.