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Coronavirus e as commodities agrícolas

por | 28 fev, 2020

Por Leandro Bovo da Radar Investimentos

O setor produtivo saiu para o feriado de Carnaval com a ótima notícia da liberação das exportações de carne bovina brasileira para os EUA, divulgada pela ministra Tereza Cristina no final da tarde de sexta, dia 21/2. A notícia é positiva e realmente merecia uma boa comemoração, já que isso encerra as tratativas para a retomada de nossas exportações, suspensas desde junho de 2017. Apesar da expectativa dos volumes embarcados não ser tão grande para colocar os EUA como um comprador de destaque da carne brasileira, o fato de estarmos novamente aptos a exportar é uma chancela sobre a qualidade do nosso produto e com certeza será levado em consideração por outros países que ainda não compram a nossa carne, daí a importância do anúncio.

O clima de “festa” no entanto acabou sendo ofuscado pela notícia do agravamento da crise com o coronavirus no mundo, com a doença se espalhando de forma mais rápida do que o esperado pelos especialistas e, enquanto a bolsa brasileira estava fechada pelo feriado do Carnaval, as bolsas do mundo todo tinham fortes e seguidas quedas, deixando todos apreensivos sobre o impacto dessa notícia no preço das commodities na reabertura do mercado na quarta-feira de cinzas. Como não podia deixar de ser, a queda das ações no Brasil acompanhou o movimento do restante do mundo com os índices acionários da bolsa brasileira recuando próximo de 9% frente o fechamento de sexta-feira até o meio dia do pregão de 27/2. O dólar também teve forte alta e sem a intervenção mais firme do Banco Central renovou sua máxima histórica, atingindo o patamar de R$4,50 também no pregão de 27/2.

A boa notícia foi que o impacto nas commodities foi bastante pequeno, para não dizer nulo. A alta do dólar acabou por suplantar qualquer receio do impacto de uma possível desaceleração econômica na demanda por nosso produtor agrícolas, a situação de oferta x demanda prevaleceu sobre o “calor” do momento e, tanto o milho como o boi gordo seguiram sua trajetória de alta na B3.

No caso específico do boi gordo, a crise do coronavirus fez a China proibir o consumo de proteínas exóticas, que teriam sido o começo da disseminação desse vírus, muito comum em animais para os humanos. Essa atitude aumenta ainda mais o já enorme déficit de proteína causado pela peste suína africana, beneficiando potencialmente nossas exportações de carnes para lá.

Ainda é muito prematuro dizer qual será o impacto dessa doença na economia mundial, porém, apenas uma enorme disrupção na logística e comércio de alimentos no mundo poderia gerar pressão baixista sobre os alimentos exportados pelo Brasil. Caso esse pior cenário não prevaleça, a expectativa para as nossas exportações seguem bastante positivas. O movimento dos EUA de reabrir seu mercado para a carne brasileira, pouco tempo depois de a China ter reaberto seu mercado para a carne bovina americana é um forte sinal disso.

***Texto originalmente publicado no informativo pecuário semanal “Boi & Companhia” nesta última quinta-feira (27/fev) da Scot Consultoria***