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Corona crise, e agora?

por | 27 mar, 2020

Por Leandro Bovo da Radar Investimentos

Até agora, o impacto da crise do coronavírus nos preços do boi gordo tem sido pequeno diante da enorme dimensão da crise que estamos vivendo na economia real. A despeito da pressão exercida pelas indústrias na semana passada, o pecuarista não se apavorou e com as boas condições das pastagens jogando a seu favor, segurou a oferta e impediu quedas mais significativas no preço da arroba.

Nesse primeiro momento a reação do consumidor foi uma corrida aos supermercados e como se estivéssemos em meio a uma guerra, as prateleiras de alimentos foram limpas, com a população estocando produtos de primeira necessidade, entre eles a carne bovina. A necessidade de reposição dos estoques no varejo trouxe as indústrias de volta às compras e, com isso, ofertas de compra a preços “menos terroristas” voltaram a aparecer no mercado obtendo assim algum fluxo de venda, mas ainda com escalas de abate em níveis críticos.

Esse foi o resumo da situação até agora, porém é muito difícil imaginar que os efeitos ficarão limitados somente ao que sofremos até o momento. A determinação da quarentena e o fechamento forçado de diversos setores da economia terá impactos importantes na demanda no mercado interno e em importadores como a Europa. A dimensão desse impacto ainda não está clara e será tão maior quanto maior for a duração da quarentena obrigatória da população. Porém, o impacto tende a ser maior do que o que vivemos até agora.

No jogo de forças que definirá os preços para o fim de safra, um bom contraponto à diminuição da demanda no mercado doméstico serão as exportações para a China, que já estão sendo retomadas e a tendência é que os volumes sejam muito relevantes, já que o preço da nossa carne em dólares está no patamar mais baixo dos últimos anos, como pode ser observado na figura 1.


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Após as tentativas mal sucedidas de recuo de preços do boi gordo em janeiro e agora diante do altíssimo preço da reposição, parece ser consenso que passamos por um ambiente estrutural de baixa oferta, logo quedas muito acentuadas de preço ficam mais difícil de acontecer, porém, a equação de menor demanda interna e final de safra nos leva a ficar um pouco menos otimistas com relação aos preços para os meses de abril, maio e junho, mesmo com a melhora das exportações para a China.

Os seguros de preço nunca fizeram tanto sentido como agora, porém, quem ainda não os tem, caso queira fazer vai pegar bem caro, já que a volatilidade do boi gordo nas últimas semanas simplesmente explodiu.

***Texto originalmente publicado no informativo pecuário semanal “Boi & Companhia” nesta última quinta-feira (26/mar) da Scot Consultoria***