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Subnotificado e subprecificado

por | 16 abr, 2020

Por Douglas Coelho da Radar Investimentos

O covid-19 é o assunto do momento, aliás, desde o fim do Carnaval. Em qualquer mercado, relatório ou nas recentes “lives”.

A ressalva aqui é que isto é algo inédito, as situações recentes de estresse no mercado financeiro estavam ligadas ao “boom” da internet, ataque das torres gêmeas e crise do subprime nos EUA, além da greve dos caminhoneiros por aqui. Sem algum movimento parecido, qualquer projeção categórica deve ser interpretada com cautela.

No mercado de commodities agrícolas não é diferente, os ânimos estiveram exaltados e a volatilidade “falou mais alto”. O título do artigo de hoje faz referência à situação atual do país e da pecuária.

Uma pesquisa feita pela USP e UnB divulgada nesta terça-feira (14/4) mostra que o total de infecções no país seria de mais de 313 mil, superior aos dados do Ministério da Saúde, de 23.430 casos divulgados até 13 de abril.

Isto é compreensível por três motivos: o número de testes é pequeno em função de recursos, o tamanho do território e a população do Brasil são gigantes comparados com outros países (principalmente europeus) e porque aproximadamente 85% dos infectados não manifestam sintomas.

Ou seja, o número de infecções pode ter grandes distorções, enquanto os dados de óbitos não. Isto gera bastante discussão em relação ao grau de letalidade e os impactos reais.

No mercado pecuário, dadas as devidas proporções, os dados também mostram algumas distorções.

Desde a quarta-feira de cinzas (26/fev – volta do Carnaval) até ontem (15/abr), a arroba no mercado físico em São Paulo recuou 2,1%, enquanto os contratos mais negociados no mercado futuro na B3, com vencimento para mai/20 e out/20 recuaram 8,7% e 10,6%, respectivamente.

Durante este período, no mercado externo, vimos as exportações do Brasil ganharem tração. O volume de 125,9 mil toneladas de carne bovina in natura bateu as estimativas de todos os analistas de mercado, ficando 13,9% maior na comparação mensal e 6,2% acima na anual. Em nossa visão este comportamento deve-se à China.

As notícias divulgadas no Dow Jones Newswires sobre mais de 2/3 das empresas estrangeiras na China recuperando 70% de sua capacidade de produção até meados de abril e de 5 mil companhias do varejo tiveram aumento de faturamento reforçam a visão de continuidade do bom fluxo para aquele país.

Já no mercado interno, as indústrias foram rápidas, readequando o nível dos abates e fluxo de produto por segmento (varejo x food service). Isto porque mesmo com todo o turbilhão, o diferencial carcaça x boi gordo no atacado subiu para 13,6% em abril. Para efeito de comparação em mar/20, a média deste diferencial passou em 9,91%, contra 6,71% em mar/19 e 0,01% em mar/18.

A pecuária brasileira não é uma ilha, muito menos o setor de alimentos. No entanto, reforçamos nossa opinião que este pode ser um dos setores mais resilientes nas lembranças da “crise covid-19”.

***Texto originalmente publicado no informativo pecuário semanal “Boi & Companhia” nesta última quinta-feira (16/abr) da Scot Consultoria***