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Retenção ou menor oferta?

por | 1 maio, 2020

Por Leandro Bovo da Radar Investimentos

Desde a forte alta nos preços do boi gordo e na reposição ocorridos no final do ano passado muito tem se falado sobre a real disponibilidade de oferta na pecuária para o ano de 2020 e os próximos.  Tomando por base os dados dos abates SIF, a diminuição de oferta realmente é relevante e vem se acentuando em nov/19, dez/19 e jan/20, como pode ser observado na tabela abaixo que mostra a variação anual dos abates SIF em todo o Brasil.


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A análise apenas dos abates SIF sempre demanda um pouco mais de atenção já que os dados são modificados quase que diariamente á medida que as informações vão sendo atualizadas no sistema, de modo que a confiabilidade dele é maior apenas com 4 a 5 meses de defasagem.

Uma forma mais confiável de obter essa informação é analisar a evolução dos abates dos 3 frigoríficos brasileiros que tem ações negociadas na B3. Como companhias de capital aberto, eles têm que divulgar trimestralmente uma série de informações com relação ao seu faturamento, margem operacional, endividamento dentre outras informações financeiras relevantes e dentre elas encontra-se o número de animais abatidos no trimestre. Até o momento apenas o Minerva divulgou seu balanço do 1tri 2020 e nele podemos observar que os abates no Brasil caíram 15,9% com relação ao 1tri 19, variação em linha com os dados apontados pelo SIF até o momento. Após a divulgação das outras duas empresas de capital aberto, Marfrig e JBS, teremos ainda mais clareza para extrapolar esses números para o Brasil inteiro.

Independente da magnitude, é incontestável que estamos abatendo menos animais do que em 2019 e aí vem a pergunta: será que essa diminuição é fruto de retenção de animais que poderiam vir ao mercado no final da safra, ou fruto de uma baixa oferta estrutural no mercado?

Para responder essa pergunta, além dos números em si, os acontecimentos recentes podem nos dar uma pista do que está acontecendo. Nos últimos 45 dias vivemos o desenrolar da maior crise desde a segunda Guerra Mundial, com enormes reflexos em todos os setores da economia. Nesse contexto o “susto” que a pecuária tomou foi enorme, com direito a derrubada nas ofertas de compra de balcão das indústrias, seguidos limites de baixa no mercado futuro e todo tipo de terrorismo que essa situação crítica permitiu. O resultado disso nos preços do gado gordo e da reposição foi praticamente zero, com nenhuma queda significativa até o momento. Ou seja, pelo tamanho do “chacoalhão” na arvore era de se esperar que caíssem os frutos maduros e os verdes, e até agora não caiu nem um nem o outro.

Esse fator nos faz imaginar que estamos diante de uma baixa oferta estrutural de bois, potencializada pela retenção de fêmeas que caracteriza a fase de alta do ciclo pecuário e agravada por uma possível retenção de animais na safra. Essa retenção caso exista tende a ser revertida nos próximos 60 dias o que tende a dar um certo alívio na oferta, porém após isso essa falta estrutural de oferta tende a voltar a aparecer.

Obviamente o rumo dos preços será ditado pela interação oferta x demanda e na demanda temos muito mais duvidas do que com relação à oferta, já que o impacto econômico da crise do corona vírus ainda está longe de acabar e é impossível de ser mensurado com a precisão necessária para fazer previsões confiáveis. O que temos até agora são apostas de como sairemos disso. Qual a sua aposta?

***Texto originalmente publicado no informativo pecuário semanal “Boi & Companhia” nesta última quinta-feira (30/abr) da Scot Consultoria***