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Argentina saiu, foco no Brasil

por | 20 maio, 2021

Por Douglas Coelho da Radar Investimentos

Há 10 anos tive o prazer de trabalhar na Scot Consultoria e, em janeiro de 2012, escrevi um artigo com o título “Em dois anos, 120 frigoríficos fechados e 13.000 desempregados”. O tema desta leitura era como a seca e as intervenções nas exportações foram prejudiciais de 2009 a 2011 na Argentina.

Talvez o trecho de maior destaque, que mostra a situação daquela época, seja “Com exceção de 2006, os abates em 2011 foram os mais baixos registrados desde 1974. O rebanho argentino, que em março de 2007 era de 58 milhões de cabeças, caiu para 48 milhões no mesmo mês do último ano”. Em 2011, a produção de carne bovina no país caiu 9% em relação a 2010 e 33% frente a 2009, quando o consumo per capita era de 60 quilos”.

Não preciso me alongar, o desfecho desta história na Argentina é conhecido por muitos. A intervenção e a fuga do livre mercado trouxeram insegurança em investimentos, o que desestimulou a pecuária e gerou mais inflação para a carne adiante.

A notícia que o governo argentino suspendeu por 30 dias as exportações para controlar os preços no país foi um dos destaques do mercado nos últimos dias. Em nossa visão, o período é muito curto para ser contundente, seria uma medida mais paliativa.

No entanto, essa sinalização pode reforçar a confiança do principal importador do Brasil, a China, que também é o principal importador de lá. Além disto, em curtíssimo prazo, o “timing” da sinalização também é oportuno, pois o ritmo das exportações do Brasil desacelerou na segunda semana de maio. Na comparação ano contra ano, o volume embarcado de carne bovina in natura de jan-abr/21 está em 468,7 mi t, cerca de 0,2% abaixo do mesmo período de 2020.

A base média de comparação de embarques do segundo semestre de 2020 é forte, em 157,8 mil/ mês, uma pequena ajuda seria muito bem-vinda.

No mercado interno, a situação é menos favorável e mais delicada. A JBS é a maior empresa de proteína animal do mundo, a indústria com maior número de plantas no Brasil possui capital aberto em bolsa, por isso necessita publicar seus resultados trimestralmente.

No primeiro trimestre de 2021 foi reportado uma margem EBITDA (em português significa lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) das operações de carne bovina do Brasil do primeiro trimestre de 2021 de 2,0%, abaixo das 4,0% do 1T2020. e 5,1% do 4T2020.

O ponto de reflexão que gostaria de deixar para o leitor é que a diferença entre o mercado interno versus externo está historicamente alta e vigente como nunca. Isso porque até mesmo os grandes campeões têm tido um resultado mais tímido no Brasil, enquanto as exportações são o contraponto que sustentam esta situação.

***Texto originalmente publicado no informativo pecuário semanal “Boi & Companhia” nesta última quinta-feira (20/mai) da Scot Consultoria***