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Margem da indústria: curto prazo vs longo prazo

por | 8 fev, 2018

A queda de braço entre produtores e indústria segue sem nenhuma alteração do cenário traçado nas últimas semanas, ou seja, produtores relutando em vender, indústrias relutando em subir preços e escalas de abate permanecendo nas mínimas recentes, sem que isso provoque alteração nos preços. O grande “culpado” por essa situação é a carne no atacado, que vinha sem sinais de melhora significativa da demanda e assim pressionando a margem da indústria no mercado interno.

Quando olhamos o gráfico da margem da indústria (diferença entre preço de venda carne com osso versus o preço de compra do boi gordo) é possível verificar a forte queda no resultado a partir de dezembro de 2017 (gráfico abaixo), porém comparar o resultado atual com a média de 2017 que foi o melhor ano de margens da história pode passar uma imagem pior do que ela realmente é.


180208_scot_bc_dg_1-9368969

Uma comparação mais justa seria com a média das margens num período maior de tempo e analisando a situação desde 2012 por exemplo temos um cenário um pouco diferente (gráfico abaixo).


180208_scot_bc_dg_2-3804591

Para colocar números no cenário, em 2017 o preço médio de venda da carne com osso no atacado foi 7,65% acima do preço de compra do boi gordo e a média de 2012 até agora é de -1,34%, patamar bastante próximo do que estamos atualmente.

Obviamente, a análise apenas da margem de venda da carne com osso não é suficiente para saber com exatidão a situação das indústrias no momento, outros fatores importantes como a venda de couro, sebo e miúdos tem papel importante na composição dos resultados.

É natural que o frigorífico tente preservar suas margens, porém analisando a situação atual tendo como base um período mais longo de tempo mostra que talvez a situação não seja tão crítica como parece.


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**Texto originalmente publicado no informativo semanal “Boi & Companhia” da Scot Consultoria.**