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Cadê o milho?

por | 13 mar, 2018

Esta é a expressão mais frequente no mercado de commodites agrícolas nos últimos dias.

A razão para isto vem na esteira das cotações do Indicador Esalq-USP  em Campinas-SP. Os preços do cereal entraram em uma escalada de alta de +26,8% desde 9/fev, de R$33,34/saca até R$42,28/saca. 

No período sazonal de colheita de verão é prudente também checar como correu a concentração do plantio, ritmo da colheita e as variações dos preços. 

É fato que os dois maiores estados produtores desse milho (RS e MG- CONAB) estão em situações distintas.


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Mapa retirado do último relatório da CONAB.

Até a última quinta-feira (8/3), a AgRural apontava que mais da metade (57%) das lavouras gaúchas foi colhida, enquanto os trabalhos em Minas Gerais não tinham ganhado corpo. Os preços também refletem alguma diferença entre as regiões com +15,2% em Passo Fundo-RS/Triângulo Mineiro/Mogiana-SP e +6,2% em Vilhena-RO desde 9/2 (Broadcast). 


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Preços do mercado físico do milho, em R$/sc, CIF, com base nos dados do Broadcast.

Não é de hoje que a logística tem sido um gargalo crônico para a agricultura brasileira, já que isto também ocorreu nos anos anteriores como 2015, 2016 e 2017.

Diferente da temporada 2015/2016 não houve quebra de safra no Brasil que explicasse esta escalada de quase 30%. Guardadas as devidas proporções, há produtores e confinadores estocados com o cereal realizando vendas e dimensionando o tamanho de suas operações (principalmente do 1º giro). 

A colheita no Centro-Sul está ligeiramente atrás do mesmo período do ano passado, porém os estoques internos também estão nos níveis mais altos dos últimos anos. O risco de desabastecimento é relativamente pequeno. 


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Tabela retirada do último relatório da CONAB

Olhando para a tabela acima, boa parte dos analistas acreditava em determinado conforto para o consumo interno, pois mesmo que a safra verão representasse um menor volume dentro do todo, os estoques finais seriam suficientes para manter os preços ajustados até a chegada da safrinha.

Não foi isso que ocorreu e aproveitamos este espaço para levantar 3 hipóteses que podem ter acarretado este cenário: 

1 – A logística esteve na sua totalidade voltada para a safra de soja. Isto porque uma carga da oleaginosa deve valer a grosso modo quase que o dobro do valor da carga de milho. Isto inflacionou os fretes e redirecionou a mão-de-obra; 

2 – Estes estoques de milho já estariam nas mãos de grandes compradores. Em resumo, o número de armazenamento pode ser grande, mas neste caso não seria representativo a ponto de fazer volume de negócios no mercado físico;

3 – O consumo divulgado pela CONAB pode ter sido subestimado nos últimos anos. Um dos exemplos para isto seria a evolução do semi-confinamento e confinamento como uma maneira estratégia de tratar do animais. Principalmente o semi-confinamento é mais difícil de mapear frente ao confinamento, granjas de suínos e de aves. Se a hipótese tiver sentido, os estoques seriam menores do que realmente previsto.

É possível que dizer ao redor de 10-15 dias, a colheita da soja esteja praticamente finalizada e, na teoria, a disponibilidade de caminhões/maquinários voltaria ao normal, facilitando o escoamento do cereal estocado até as grandes regiões consumidoras.

No entanto, o cenário visto nos últimos dias não respeitou qualquer fundamento de oferta/demanda, já que não houve quebra de safra, as exportações brasileiras do cereal competem com o milho norte-americano no mercado externo neste momento e a produção de aves & suínos da maior companhia brasileira do setor (BRF) está mais “comportada” após a “Operação Trapaça.” 

Neste sentido, vale lembrar que a volatilidade do mercado do milho é  mais que 2x vezes a do mercado do boi gordo. O que queremos dizer com isto é que as janelas de oportunidade neste nicho, principalmente no mercado de opções, podem ser rápidas e que o produtores/consumidores devem ficar atentos às distorções.