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Relação de troca milho x boi

por | 13 fev, 2020

Por Leandro Bovo da Radar Investimentos

No início dessa semana a Conab divulgou seus números para o balanço de oferta e demanda de milho para o ano de 2020. Em resumo ela considerou uma produção total safra + safrinha em 100 milhões de toneladas, valor praticamente estável em relação a 2019. O consumo interno foi aumentado de 65 milhões de toneladas para 70 milhões de toneladas; as exportações foram reduzidas dos 41 milhões de toneladas de 2019 para os 34 milhões de toneladas; e uma importação de 1 milhão de toneladas. Ainda segundo o boletim, iniciamos o ano de 2020 com 11 milhões de toneladas como estoque de passagem.

Resumindo essa salada de números temos: oferta = 11 de estoque + 100 de produção + 1 de importação. Demanda = 70 + 34 de exportação. Saldo final seria redução do estoque de passagem de 11 para 8 milhões de toneladas para 2021.

Tendo os dados da Conab como base, o balanço de oferta e demanda do milho para 2020 é muito ajustado e implica riscos bastante consideráveis, como por exemplo alguma frustração na produção da safrinha ou mesmo algum problema na safra americana, levando nossas exportações a um patamar superior às 34 milhões de toneladas consideradas no relatório. Essa última hipótese não é nem um pouco desprezível considerando o dólar acima dos R$4,30 de atualmente.

A mensagem dos números é bastante clara: se tudo der certo teremos um balanço de oferta x demanda semelhante a 2019, porém se a exportação se mantiver no patamar do ano passado, ou se tivermos algum problema climático comprometendo a safrinha, a situação ficará delicada.

A boa notícia é que o mercado futuro de boi voltou a operar em alta e a relação de troca boi out/20 x milho set/20 está muito favorável ao pecuarista tendo por base o histórico recente. Acompanhe na figura 1:


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Após fazer os picos acima de 5,40 scs/@ durante a alta do boi em novembro e dezembro de 2019, a relação de troca recuou para 4,60, mas já voltou aos 5,19, o que é bastante favorável. A média dessa relação desde 2015 é de 4,13scs/@, com máxima de 5,31 em outubro de 2017 e mínima em 2,90 em maio de 2016.

Num ano com oferta x demanda tão apertados e sujeitos a sustos como esse, poder garantir já no início do ano uma relação de troca tão favorável para a entressafra é uma oportunidade que deve ser analisada com bastante carinho. A única observação a ser feita é que a equivalência no mercado futuro não deve ser feita em número de contratos, mas em valor financeiro, já que o valor do contrato de milho e de boi são diferentes. Qualquer operador de mercado futuro com conhecimento e experiência consegue traçar estratégias nesse sentido.

***Texto originalmente publicado no informativo pecuário semanal “Boi & Companhia” nesta última quinta-feira (13/fev) da Scot Consultoria***