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Tem mas acabou!

por | 18 jun, 2020

Por Leandro Bovo da Radar Investimentos

O título do texto de hoje faz alusão àquela piada do freguês que chegou em uma vendinha do interior do estado e perguntou se tinha coca cola gelada, no que o vendedor prontamente respondeu: tem mas acabou! A resposta inusitada define bem a situação da oferta de boi gordo atualmente no Brasil, onde a indústria se desdobra nas ligações e contatos com os pecuaristas à procura de boi gordo, porém a reposta mais comum é que não tem nada disponível.

A situação atual já era de certa forma esperada, tendo sido abordada diversas vezes nesse espaço e é reflexo direto da turbulência causada pela crise do coronavírus a partir de março que desestruturou todo o planejamento dos produtores para o restante do ano. É bem verdade que a situação de oferta já vinha bastante restrita com a iminência de virada do ciclo pecuário deixando a reposição caríssima, diminuindo o fluxo de abate de fêmeas e contribuindo para a firmeza dos preços do gado gordo. O fato de os preços não terem caído na safra, mesmo com restaurantes, cozinhas industriais e demais estabelecimentos de food service fechados foi um enorme aviso de que a situação de oferta era complicada.

Além disso em nenhum momento da safra o confinamento foi estimulado economicamente e por mais eficiente que fosse o produtor, ao analisar os custos de boi magro, milho e o preço de venda do boi gordo no mercado futuro, a conta simplesmente não fechava. E isso tudo em meio ao caos econômico e incerteza gigantesca provocados pela pandemia. Para agravar a situação, a reposição seguiu firme e até subiu no ano, levando o produtor a preferir manter os bois no pasto para vende-los na safra de 2021 do que acelerar a engorda para vender na entressafra de 2020 a preços pouco atrativos.

Na ponta da demanda, o mercado interno sofre os efeitos da crise e não é um fator de sustentação dos preços, porém a diminuição de oferta foi tão grande que deixou o mercado enxuto, e mesmo na crise atual os preços da carne com osso no atacado ganharam tração estando na máxima do ano a R$14,38/kg segundo pelos dados do CEPEA. A fonte de boas notícias na demanda são as exportações, que seguem em alta com o destaque de sempre para a China que mantém o ritmo sendo a grande compradora de nossa produção.

No mercado futuro a curva de preços segue sem criatividade, com todos os vencimentos subindo ou descendo sempre juntos e precificando exatamente o mesmo valor do mercado físico. A boa notícia é que mesmo sem ágio na curva, como o físico subiu, os demais meses subiram junto barateando o custo para compra de seguro de preços mínimos, que seguem como a melhor alternativa para gerenciamento de risco, já que a tendência do mercado no curto prazo permanece positiva.

***Texto originalmente publicado no informativo pecuário semanal “Boi & Companhia” nesta última quinta-feira (18/jun) da Scot Consultoria***