Fale conosco: +55 11 3181 8700 /     atendimento@radarinvestimentos.com.br      radarinvestimentos

logotipo radar investimentos

Dê um primeiro passo e receba um convite de abertura de cadastro

Dê o primeiro passo e receba
um convite de abertura de cadastro



Dê o primeiro passo e receba
um convite de abertura de cadastro

Temporada de balanços afugenta fantasma da variante Delta no mercado

por | 21 jul, 2021

Por Valor Econômico

A variante Delta, versão mais contagiosa da covid-19 até aqui, vai ganhando terreno. Mas ameaça especialmente países pobres, com vacinação mais vagarosa. Dessa forma, e ao menos até aqui, a onda vendedora global ficou restrita à segunda-feira (19) nas bolsas de Nova York e Europa. E o maior saldão de 2021 enfrentado por elas, sob o fantasma da pandemia, nem parece mais ter acontecido.

O Stoxx 600, espelha o sobe e desce das ações mais relevantes da Europa, subiu neste pregão 1,65%. Só restam agora 0,17% das perdas acumuladas no primeiro pregão da semana. Já o índice S&P 500, com as principais ações de Nova York, subiu 0,82%. E já virou 0,73% para o positivo na semana.

Pouco fez preço nos principais mercados, portanto, o aviso dado nesta quarta pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “A pandemia é um teste e o mundo está falhando”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. Aos organizadores dos Jogos Olímpicos, foi dito que o mundo não virou a página da pandemia, como pode fazer crer a realização do evento em Tóquio. Ao contrário. Estaríamos no início de uma nova onda de infecções e mortes.

Na visão de analistas do Morgan Stanley, são três as grandes pedras a serem vencidas pelo mercado acionário neste terceiro trimestre.

  1. Em primeiro lugar, os resultados positivos acima das expectativas das empresas americanas no começo deste ano aconteceram sob forte anabolizante à demanda. Só no primeiro trimestre, nada menos que US$ 3 trilhões foram diretamente colocadas nas mãos de consumidores e empresas pelo governo americano. E quando a chuva passar? O tranco do pé no freio do crescimento pode ser forte.

  2. Segundo, dinheiro não dá em árvore. O forte endividamento do governo americano precisará ser pago. Uma hora ou outra, o Tesouro vai precisar parar de imprimir dinheiro como tem feito por lá, sob risco de, ao não interromper as máquinas, aquecer ainda mais uma inflação já bastante aquecida. Ou seja? Virão novos impostos para liquidar a fatura, já propostos tanto pela Casa Branca, quanto pelo Congresso. Tributos que, no colo de consumidores, pode significar menos gastos. E, no colo das empresas, receitas menores.

  3. Em terceiro lugar, bem, tem a pandemia. Não acabou e, conforme a variante Delta e outras que tendem a surgir no lastro de uma vacinação ainda incipiente fora dos países mais ricos, o ritmo de reabertura global pode sofrer reveses.

Um eventual tropicão nesses paralelepípedos, estima o banco americano em relatório reportado pela CNBC, pode forçar correção de preços de entre 10% e 20% nas bolsas americanas. Uma capotada, caos se confirme, compartilhada por demais mercados. E com potencial de ser amplificada em países emergentes que, feito o Brasil, oferecem por si só boas razões para estrangeiros pularem fora.

Em paralelo, no entanto, uma nova temporada de balanços está em vigor.

A expectativa é a de que empresas listadas tenham resultados no segundo trimestre melhores que o do primeiro, no qual já não foram nada mal. Diante dessas projeções, passou quase batido no Saldo do Dia o horizonte mais sombrio pintado pelo OMS, que previu novas turbulências socioeconômicas conforme a pandemia vá sendo prorrogada.

Entre essa esperança e os riscos de choro e ranger de dentes chegando, o Ibovespa tremeu em dissonância com o dia de alta de cabo a rabo das principais bolsas. Mas, depois de chegar a zerar ganhos no meio da tarde, reagiu e fechou em alta de 0,42%, aos 125.929 pontos. Com o resultado, apagou as perdas na semana, restando agora só 0,02% delas. Ou seja, nada.

Das 84 ações do índice, 41 caíram nesta quarta. Entre compras e vendas, movimentaram ao todo R$ 17 bilhões, aquém até mesmo da média diária de julho, de R$ 20 bilhões, a menor entre os meses do ano.

Embora só metade da maior parte da carteira teórica do Ibovespa tenha ficado no azul, as duas empresas com maior participação na composição deram conta de tirar o índice do zero a zero.

  • Ações da Vale avançaram 1,15%. Possuem mais de 12% de fatia do índice, a maior entre as ações componentes. E avançaram a despeito da queda de 3% dos preços do minério de ferro na China, aos US$ 215 por tonelada. Nos portos de Qingdao, pesaram os cortes na produção local de aço, parte do plano de Pequim de reduzir emissões de carbono. Já na B3, falou mais alto a previsão de recuo na oferta de minério ao mercado ao longo do ano. Ainda que a empresa perigue não cumprir com suas metas de produção, seria beneficiada pela sustentação dos preços em alta;

  • Papéis da Petrobras têm a segunda maior fatia do Ibovespa, de quase 10%, contaram com os preços do petróleo a favor. E bastante a favor. Contratos mais negociados no mercado futuro de Londres dispararam 4,15%, aos US$ 72 por barril. Ainda não foi recomposto derretimento de 7% da segunda-feira passada. Mas está quase lá. Se o aumento da oferta pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) preocupa, a queda na demanda no mercado americano trouxe algum alívio. As ações preferências (PN, com preferência por dividendo) da Petrobras, sendo assim, puderam subir 1,39%. As ordinárias (ON, com direito a voto em assembleias), 1,61%.

No campo das perdas, chamou atenção o desempenho bastante a desejar dos papéis ligados ao ciclo interno da atividade. Refletiram, justamente, as desconfianças quanto ao potencial de reabertura sustentada da economia brasileira, conforme a variante Delta ganha manchetes.

  • Ações das Americanas (que representam a junção dos negócios entre Lojas Americanas e B2W) lideraram perdas, com 5,67%. As do grupo de laboratórios Fleury, 2,87%; e da JHSF, companhia de participações no setor imobiliário, 2,20%.

Serve feito luva à pressão vendedora atuando sobre esses papéis, cujas receitas dependem do ritmo interno da economia, o ditado “gato escaldado tem medo de água fria”.

Ainda está quente na memória de investidores o começo do ano, quando analistas quase em uníssono diziam que a pandemia no Brasil era página virada. Mas veio a segunda onda. No entanto, nas mesas de operação o medo de vir uma terceira, no embalo da variante Delta, não parece calar fundo. E solavancos como o desta sessão são vistos como oportunidade para pagar menos por ações cujo horizonte promissor segue inabalado.

“Quando a bolsa começa a sacolejar, e aí que quem faz boa gestão se dá bem”, diz Renan Vieira, sócio da Taruá Capital. “É claro que não dá para descartar o risco de uma terceira onda, mas não parece ser tão relevante. Tivemos uma aceleração grande da vacinação no Brasil, e que deve seguir até o fim do ano grande aumento de mobilidade, fluxo de veículos melhorando ainda mais, nas estradas e nas ruas, oferecendo ganhos importantes para empresas ligadas ao setor de serviço.

Vieira aponta que companhias brasileiras nesta temporada de balanços vão oferecer, na comparação com os trimestres anteriores, melhora expressiva de resultados.

“Algumas devem até mesmo ter desempenho melhor na comparação com 2019, antes da pandemia”, diz. “A economia entrou mais fortalecida neste segundo semestre, e deve oferecer números muito bons. O ápice da recuperação da atividade e da melhora de receitas das empresas deve ser no último trimestre do ano, já com a vacinação em segunda dose bastante adiantada no Brasil.

As turbulências no meio do caminho, diz Vieira, podem acontecer. Externamente, com alguma desaceleração das grandes economias. “Pode haver alguma acomodação no rali internacionais, mas em níveis elevados de preços, seja de ações, seja de commodities”, diz. “Internamente, temos os ruídos políticos, com a CPI da covid e com a reforma tributária. Mas nada que, no fim das contas, seja mais relevante que os dados positivos oferecidos pela retomada da economia.”

No câmbio, ao menos, a redução da sensação de risco prevaleceu. O real ainda conserva desvalorização relevante na semana, de 1,46%, conquistada inteiramente na segunda passada. Mas cedeu nesta quarta outra vez, 0,78%, aos R$ 5,1901.

Já na curva de juros, de ponta a ponta pesou no Brasil o repique depois de quedas fortes nos rendimentos dos títulos americanos de longo prazo. Mas não foi só isso que puxou taxas para cima. O mercado está ressabiado com a reforma ministerial prometida para a semana que vem. Que deve diluir o poder hoje em mãos do ministro Paulo Guedes ao desmembrar a pasta da Economia. Teme-se que os chamados “fura teto” ganhem ainda mais voz no Planalto.

  • Taxas de contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), quanto mais curtas, mais atendem mais às expectativas em relação à Selic. Para 2023, foram de 7,12% a 7,13%;

  • Flutuando ao sabor do cheirinho de calote do governo federal no ar, taxas do DI para 2031 subiram de 9,08% a 9,13%.